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30 jovens que lutaram para mudar a indústria da comunicação em 2019

Mais um ano está chegando ao fim e é, nesse momento, que surgem listas e premiações para homenagear líderes, agências e campanhas publicitárias que marcaram o ano. No entanto, em um mercado que adora celebrar quem está no topo ou dar visibilidade para quem já tem visibilidade, muita mudança vem sendo feita por quem está começando e longe dos holofotes.

Sem salários milionários e trabalhando dia e noite para se organizar entre a rotina de agência, freelas e projetos paralelos, esta lista destaca 30 jovens que durante este ano decidiram lutar por conta própria e mostrar que, mesmo em uma rotina tão corrida, é possível criar iniciativas independentes que promovam mudanças reais.

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Verônica Dudiman, Daniele Mattos e Amanda Abreu são as mentes por trás da Indique uma Preta, uma iniciativa que nasceu como uma rede de apoio e empregabilidade para mulheres negras por meio de workshops e rodas de conversas, mas que este ano passou também a atuar como uma consultoria para ajudar empresas e marcas a transformarem sua cultura.

Como quase 3.500 mulheres conectadas em sua comunidade, nos últimos meses, elas reuniram mulheres pretas para imersões de aprendizado de forma gratuita, conduziram uma mentoria na Casa TPM, participaram do HackTown em Minas Gerais e, mais recentemente, foram destaques da campanha #SomosMaisJuntos do Facebook com um vídeo que já alcançou mais de 2.2 milhões de visualizações.

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Jeferson Guimarães é bisexual, soropositivo e criado na periferia de São Paulo. Ao entender que para muitas pessoas chegar até uma grande agência parece algo quase impossível, ele lançou uma web série com 5 episódios chamada Como Cheguei lá.

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Com episódios de aproximadamente 40 minutos e feito com o apoio do Geek Publicitário, a série conta histórias que fogem do tradicional perfil de profissionais da área e mostram que meritocracia não é tudo. Além disso, o nome do projeto ainda funciona como uma ironia, pois não se sabe onde é lá.

Lá pode ser um lugar diferente para cada pessoa, mas quem se vê em uma realidade de exclusão o lá pode parecer inalcançável e o fato é que ouvir essas histórias pode inspirar quem está agora começando a vida profissional.

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Saymon Medeiros é diretor de arte, atualmente trabalha em agência em Dubai, e junto com o Alexandre Freire ele criou uma lista para confrontar a famosa planilha das agências ‘Como é trabalhar aí’ que todos os anos expõe tantos problemas e casos de assédio no mercado.

Com o nome de ‘Quem te ajudou aí’, em Março ele convidou líderes e jovens para falarem publicamente sobre pessoas que abriram portas e ajudaram em suas carreiras. Ou seja, para não só ressaltar o lado negativo e que ainda precisa ser discutido, ele buscou uma maneira de ajudar quem está chegando através de bons exemplos e indicações. Para saber mais, a lista completa está disponível neste link.

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Muito se fala sobre diversidade de gênero, mas quase nunca se fala sobre raça e sobre questões interseccionais. Para mandar um recado e conscientizar mulheres brancas que apoiam a pauta de inclusão de grupos minorizados no mercado de trabalho, Joana Mendes e Gabriela Rodrigues escreveram uma carta aberta junto com Raphaella Martins no começo desse ano.

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O estopim que levou à carta foi o podcast Jogo de Damas, do Spotify, que convidou mulheres expoentes do mercado publicitário para falarem sobre suas vivências. O podcast traz mulheres negras na arte de capa, mas entre 11 convidadas, apenas 1 era negra.

Em Agosto, Joana Mendes também lançou o Young, Gifted and Black, um banco de imagens de mulheres negras feito por mulheres negras de ponta a ponta, na frente e atrás das câmeras.

Financiado coletivamente, ela levou mais de um ano para tirar a ideia do papel. Ora trabalhando como redatora freelancer, ora buscando formas de levantar recursos para lançar o resultado, todo o conteúdo já está disponível para download no site www.ygb.black .

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Patricia Richer, Manoela Haase, Ana Antunes, Fernanda Sanchis e Betina Aymone formam o coletivo gaúcho Viva Voz. Em Julho, elas lançaram o Tem que ter, o primeiro banco de imagens LGBTQIA+ do país.

Com um acervo de mais de 150 fotos assinadas por 5 fotógrafos, todas as imagens foram feitas em locações em Porto Alegre e em São Paulo e protagonizadas por pessoas LGBTQIA+ comuns (não modelos profissionais), como forma de garantir que a diversidade de vivências também estivesse representada na escolha do casting.

Após um ano de pesquisa sobre o tema e criação da plataforma, atualmente elas realizam talks e palestras em agências, universidades e no setor de marketing de empresas para conscientizar o mercado sobre a importância de diversidade nas peças publicitárias durante todo o ano, e não apenas em datas específicas.

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Depois de trabalhar em cinco grandes agências de São Paulo e passar por uma crise de burnout, Ricardo Silvestre decidiu em Setembro lançar a Black Influence, empresa de conexão e agenciamento de influenciadores, artistas e criadores de conteúdo pretos ou de periferia que naturalmente têm muita dificuldade para se aproximar das marcas e monetizar seus conteúdos de maneira adequada.

Também criador da fanpage Coisas de Preto que hoje acumula mais de 20 mil seguidores, Ricardo usa a internet para debater diversidade, questionar a publicidade e a sociedade sobre preconceito, racismo e falta de inclusão.

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Redatora, nascida em Aracaju e saindo do Nordeste sem um portfolio pronto, Layana Leonardo enfrentou desde cedo as dificuldades de conquistar uma vaga dentro das grandes agências e ser uma das poucas mulheres dentro dos espaços de criação.

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Por isso, em Março, ela e Juliana Martins decidiram se juntar ao Mostra a Pasta para organizar um mentoria de portfolios feita por e para mulheres. Com o nome de Mostra a Pasta — ELAS, o evento reuniu um grupo de 50 jovens que durante uma noite receberam conselhos e dicas de 26 líderes de agências e repertórios distintos.

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Tawane Silva é de Mogi das Cruzes, diretora de arte e todos os dias passa cerca de 2 horas e meia no trânsito para chegar na agência em São Paulo. Em Outubro, ela lançou o Periféricas, um programa para diminuir a distância entre mulheres que residem em regiões da periferia e a área de criação de agências.

Através de aulas gratuitas e mentorias para portfolio, desde o lançamento do projeto ela tem reunido todos os sábados 10 garotas e estudantes de comunicação para conversar com profissionais da área e aprender a lidar com o dia a dia, seja discutindo um brief ou formas de como apresentar e aprovar ideias na hora da reunião.

Todo o ciclo de encontros tem uma duração de 4 meses, portanto, a primeira turma acaba em Fevereiro e depois uma nova será aberta. Além disso, para dar apoio às participantes, o projeto ainda ajuda com o almoço e o vale transporte.

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Maria Paula Picin tem 25 anos, é diretora de arte e, pelo segundo ano consecutivo, ela criou o Women Search Game, um jogo (ou caça-palavras) para os profissionais perceberem o quanto é difícil encontrar o nome de mulheres criativas nas fichas técnicas das campanhas brasileiras premiadas em Cannes.

Em 2018, 221 criativos do Brasil foram premiados no Festival. Entre todos os nomes, apenas 18 mulheres. Um ano depois, a gente espera que o resultado seja bem diferente, mas a verdade é que muito pouco mudou.

Este ano, entre 235 criativos premiados, somente 25 mulheres—um aumento de apenas 2,5% em relação ao ano passado.

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Lucas Schuch é de Santa Maria no Rio Grande do Sul, trabalhou em agências, mas decidiu seguir a carreira de pesquisador para propor debates mais profundos sobre as mudanças na publicidade. Em Julho, ele criou o podcast Propaganda não é só isso aí para entender o mercado e confrontar modelos de negócios, bem como as fórmulas tradicionais da propaganda.

Em apenas 6 meses, seu podcast já conta com mais de 4 mil publicitárias e publicitários ouvintes nas plataformas digitais e se tornou um dos 5 podcasts mais ouvidos na categoria Marketing, fazendo com que pautas como saúde mental e representatividade não fiquem apenas em São Paulo e possam chegar até outras partes do país.

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No ano passado, surgiu o Oxente your agency, uma conta no Instagram para celebrar profissionais que são do Norte e Nordeste do país, mas que hoje estão construindo suas carreiras em agências de São Paulo. Tudo isso por causa de posts xenofóbicos feitos por publicitários logo depois das eleições.

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Como uma forma de expandir o projeto, em Setembro, os maranhenses Arthur Melo, Gabriel Moniz e Guter Sá resolveram aproveitar o festival do Clube de Criação para organizar um evento para mais de 80 jovens, transformando o que era somente uma rede de inspiração no Instagram em uma roda de conversa com conselhos e aprendizados.

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Em Maio, Clariza Rosa e Helena Gusmão lançaram no Rio de Janeiro, junto com mais dois sócios, a SILVA, uma agência de casting apenas com modelos da periferia que atua também como produtora de áudio, vídeo e consultoria.

Com mais de 600 inscritos na primeira seleção de casting, hoje elas conectam marcas e campanhas com jovens que, de fato, vivem a realidade das favelas locais.

Além de trabalhar pela inclusão de diferentes vivências no resultado e dentro do processo criativo, ao longo do ano a SILVA virou tema de conversa na Conferência do Grupo de Planejamento em Porto Alegre, bem como em palestras para eventos do Facebook, C&A e Instituto Rio Moda.

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Asaph Luccas, Carol Santos, Gabriel Soares, Guilherme Candido, Joyce Santos, Leonardo Domingos, Tatiane Ursulino e Oliv Barros vem de periferias da Grande São Paulo e formam o coletivo Gleba do Pêssego.

Em Agosto, eles lançaram o curta Bonde (trailer) que apresenta a história de três jovens de Heliópolis envolvidos em problemas de racismo e LGBTQIfobia que encontram entre si o apoio e força para lidar com isso.

Em um mercado ainda tão excludente como o audiovisual, em que os editais sempre são ganhos pelas mesmas pessoas que basicamente vieram das mesmas universidades e compartilham os mesmos ciclos sociais, Bonde foi escolhido como o Melhor Curta-metragem Brasileiro no Festival Mix Brasil, levou o prêmio Canal Brasil de Curtas e o Trofeu Borboleta de Ouro (Destaque LGBT) no Festival Internacional de Curtas de São Paulo.

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O Papel & Caneta existe para reunir líderes e jovens de diferentes agências e espaços criativos do mundo para que eles possam aprender uns com os outros e construir um futuro com menos ego e competição.

Por isso, antes dessa lista ser divulgada, convidamos todos os jovens para se encontrarem e compartilharem suas histórias pessoalmente, transformando o que até então seria apenas uma lista em um momento de troca, afeto e união.

Apoio: FLAGCX / Vídeo por @souheras

Conhece mais jovens que lutaram para mudar o mercado e iluminar um novo rumo na indústria da comunicação com projetos independentes? Envia um email para andre@papelecaneta.org

André Chaves é o idealizador do Papel & Caneta, coletivo sem fins lucrativos espalhado por 7 cidades do mundo que conecta líderes e jovens da indústria criativa para trabalhar ao lado de ativistas em causas sociais e ambientais.

Com destaque em plataformas como Paper, ELLE, Working Not Working, Campaign US, GOOD e Afropunk, por dois anos consecutivos, o Papel & Caneta tem sido o único coletivo na lista de ‘Ideias que estão o mudando o mundo’ da revista americana Fast Company, ao lado de empresas como HP, Unicef, Microsoft e R/GA.

Papel & Caneta is a nonprofit collective consisting of leading creatives who work with activists to create empathy for overlooked or unfairly judged communities

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